quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

janine

A fração de um veneno,
veloz e eficaz.
Apenas uma gota
e já não há mais
medo,
montanha,
menina

Afrísio guardou o coração do seu amor
dentro de uma caixa
de coragem
e chão

Apontou para o deserto:
uma única lágrima
do tamanho de uma mostarda
deu conta de encharcar

sábado, 4 de novembro de 2017

in sônia pectoris

Ainda no tempo em que a calçada convidava a cadeira para se sentar diante da lua e conversas, a mãe preferia o oratório para, em pé, atravessar as demoras dos filhos. Olhava a lua e, sem um fio de cabelo,  a considerava bonita como ninguém. Olhava os dois castiçais em forma de torre entre a rainha do espelho. O pigmento da íris guardava um canto de céu noturno. Nele, algumas estrelas desenhadas por lágrimas e um estreito batizado de Érico e Benjamin. Olhava a cruz de Damião e apertava o terço. E antes de ter com Maria na mesma estrada em direção ao templo, olhou para um outro santo em seu aparador: Então, João.  Se no amor não há medo, isso que a gente chama de amor é o quê?